Suprema Corte dos EUA derruba tarifas globais impostas por Trump e impõe limite ao poder presidencial
Decisão histórica afirma que presidente não pode impor tarifas sem autorização do Congresso e pode afetar bilhões em cobranças comerciais
Foto: Sarah Meyssonnier A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) invalidar as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump, em uma decisão considerada histórica para o comércio internacional e o equilíbrio entre os poderes no país. Por 6 votos a 3, os ministros concluíram que o presidente não tinha autoridade legal para estabelecer tarifas com base em poderes emergenciais.
Segundo o tribunal, a lei utilizada por Trump, conhecida como International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), não autoriza a imposição de tarifas sobre importações. A maioria dos ministros afirmou que a Constituição atribui ao Congresso — e não ao Executivo — a responsabilidade de criar impostos, incluindo tarifas comerciais.
As tarifas faziam parte de uma estratégia ampla do governo para taxar produtos importados de diversos países, com o objetivo de reduzir déficits comerciais e pressionar parceiros internacionais. No entanto, o tribunal entendeu que decisões com grande impacto econômico exigem autorização clara do Legislativo.
A decisão pode ter efeitos financeiros significativos, já que as tarifas questionadas arrecadaram mais de US$ 133 bilhões. Empresas que pagaram essas cobranças poderão buscar ressarcimento, o que pode gerar disputas judiciais e impacto nas contas públicas.
A decisão também representa um revés importante para a política comercial de Trump, que utilizou tarifas como ferramenta central de sua estratégia econômica e diplomática. O julgamento estabelece limites claros para o uso de poderes emergenciais em questões comerciais e reforça o papel do Congresso na definição de políticas tarifárias.
Especialistas apontam que o impacto pode atingir as relações comerciais globais, já que as tarifas afetaram produtos importados de diversos países e geraram tensões econômicas internacionais. O caso também abre precedente para futuras disputas sobre a autoridade presidencial em decisões econômicas de grande alcance.



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