Projeto para criação de tilápias no lago de Itaipu avança entre Brasil e Paraguai
Iniciativa prevê produção anual de até 400 mil toneladas de peixe, mas proposta ainda depende de ajustes legais e análise ambiental
Reprodução Os governos do Brasil e do Paraguai avançam nas discussões para autorizar a criação de tilápias no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu. A proposta prevê uma capacidade de produção de até 400 mil toneladas de peixe por ano, transformando o lago da binacional em um dos maiores polos de piscicultura da América Latina.
O tema ganhou força após o Paraguai sancionar, em dezembro de 2025, uma legislação que permite o cultivo de espécies exóticas em corpos d’água fechados e semiabertos. A medida abriu caminho para o desenvolvimento da tilapicultura na parte paraguaia do reservatório de Itaipu.
No lado brasileiro, entretanto, o projeto ainda depende de alterações no acordo bilateral que regula o uso do lago da usina. Além disso, a proposta precisaria passar por análise e aprovação do Congresso Nacional antes de ser implementada oficialmente.
Estudos técnicos sobre a viabilidade jurídica e ambiental da iniciativa já foram entregues ao Ministério das Relações Exteriores pela direção brasileira da Itaipu Binacional. Segundo informações divulgadas pelo setor, a documentação avalia os impactos e as condições necessárias para permitir a produção em larga escala no reservatório.
Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apontam que o lago possui potencial para suportar a produção estimada de peixes. O reservatório da usina possui cerca de 1.350 quilômetros quadrados e já é utilizado para diversas atividades, como geração de energia, armazenamento de água e turismo.
Apesar do avanço das negociações, especialistas em meio ambiente demonstram preocupação com possíveis impactos ecológicos. Entre os riscos apontados estão a disseminação de espécies exóticas, desequilíbrios ambientais e efeitos sobre a fauna aquática nativa do Rio Paraná. Pesquisadores também alertam para a necessidade de protocolos rígidos de controle para evitar fugas de peixes e danos ao ecossistema local.
A proposta é acompanhada pelo setor produtivo e por representantes da aquicultura, que enxergam potencial econômico e geração de empregos na região de fronteira. O projeto, porém, segue em fase de discussão técnica e política entre os dois países.




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